quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

48º Carta - Saudades

Bem-vindos ao blog e ao convite para ler as cartas de amor inspiradas nas histórias que ouço todos os dias em meus atendimentos astrológicos, nos encontros da vida, e em minhas próprias experiências. Para quem quer saber mais sobre elas, veja o post da primeira carta no link:   
http://ferzanini.blogspot.com.br/2015/10/as-cartas-de-amor.html

48º Carta – 27/01/16

Inspirada no que os olhos não veem, mas o coração sente.


Amor,

Hoje acordei com uma saudade gostosa, vontade de rir com você.
Sabe que existem dois tipos de saudades? Há aquele tipo que faz doer a carne, que espeta como espinhos cravados na pele, essa é a saudade “choro”, ela nos aliena, faz com que já não vejamos a relação, não há mais eu ou você, porque enquanto ela se faz presente nos apaixonamos pela “falta”, somos guiados pelo que não temos, nos apegamos ao “se”. Ela vicia e pouco a pouco vai matando a capacidade de criar novos mundos.
Mas deixemos a saudade choro quieta por hoje, porque eu quero mesmo é te falar sobre a outra saudade, a saudade criança, essa é complemento. Ela também faz chorar, mas é um choro que limpa, que perdoa, que entende, que derrete o coração, nela você simplesmente está. Olho para vida com quatro olhos (e não são meus óculos...rsrsrs), os meus e os seus, e assim a falta se torna presença.
Vejo coisas lindas que gostaria de te mostrar, e mostro, te envio músicas, poemas e orações. Te percebo no meu desejo e te mando mensagens pelo arrepio de minha pele. Será que você sente? Como pode haver distância nisso? Não há! Sou devolvida a mim, pois me conheço em ti, me descubro em meus sonhos de ti.
A saudade criança me permite te dizer com leveza que a vida vai bem, que sou feliz, que meu sorriso desabrochou, que a inocência voltou a ser minha lente, que novamente quero comer o mundo com queijo ralado, que meus pés coçam por fome de estrada... que só te quero bem.
Ai! Que saudades de você!! Deixemos a Vida resolvê-la, quem sabe nos encontremos em um caminho mágico para uma cachoeira ou então em uma rua movimentada chamada surpresa, ou talvez, sigamos nos encontrando em dimensões que só o Amor entende.

Sua,

Eu
 

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

47º Carta - Tem alguém aí?


Bem-vindos ao blog e ao convite para ler as cartas de amor inspiradas nas histórias que ouço todos os dias em meus atendimentos astrológicos, nos encontros da vida, e em minhas próprias experiências. Para quem quer saber mais sobre elas, veja o post da primeira carta no link:   

http://ferzanini.blogspot.com.br/2015/10/as-cartas-de-amor.html

47º Carta – 12/01/16

Inspirada em uma insônia nascida de um sonho sem imagens.


Amor,

Toc toc ... tem alguém aí?
Toc toc ... tem alguém aí?
Toc toc ... tem alguém aí?

Não consigo te ouvir por detrás do muro espesso de seu castelo. Minha voz se desfaz no eco de meu próprio chamado.
Será que estás dormindo? Cuidado para não se deixar cair no sono sem sonhos, ele é mantido pelo medo de mudança. Acorda, meu amor! Acorda para o Amor!
Dentre tantas pessoas que adentram a seu castelo todos os dias, alguém te ensinou amar? Alguém te ajuda a seguir crendo que  acima dos deveres  está a necessidade de ser justo ? Alguém mais, além de mim, conhece seu anseio de cuidar dos que não sabem se cuidar sozinhos?
Não consigo ouvir as respostas! Acho que ainda dorme.
O meu dilema é em relação aos sonhos, meu sono é cheio deles, sonhos de imagens vívidas, cheios de movimento. Definitivamente, eu sei sonhar, e por sabê-lo acabo me tornando uma antena que capta os seus sonhos protegidos pelo silêncio do esquecimento.
O que faço com eles? Guardo num baú de tesouros e deixo no portão de sua fortaleza ou os vivo em mim para você?
Se o encontro de amor nos faz um, tenho permissão de vivê-los.
Darei as costas ao seu castelo e seguirei em direção ao Sol, levando comigo seu baú de tesouros.
Sua honra será a espada que me defenderá no caminho, sua liberdade confeccionará minhas asas, sua vontade de curar os loucos será minha caridade, seu poder de combater as injustiças será o desafio que me moverá.
Enquanto você não se lembra de acordar, eu serei seu chamado. Me apresentarei a ti como aquela sensação de “algo a ser feito” dentro do seu peito. Serei o vazio que vem após cada conversa onde não estou. Aparecerei como o alívio dos prazeres que te acalmam, ajudando a fingir que não há dor. Me tornarei as saudades que sente de ti mesmo.
Dessa forma te cuidarei até que te lembres.
Toc toc ... tem alguém aí? Eu sei que sim, não te ouço, mas te sinto.

Sua,

Eu