segunda-feira, 30 de novembro de 2015

43º Carta - Palavras

Bem-vindos ao blog e ao convite para ler as cartas de amor inspiradas nas histórias que ouço todos os dias em meus atendimentos astrológicos, nos encontros da vida, e em minhas próprias experiências. Para quem quer saber mais sobre elas, veja o post da primeira carta no link:   
http://ferzanini.blogspot.com.br/2015/10/as-cartas-de-amor.html



43º Carta – 30/11/15


Inspirada em um atendimento onde aprendi muito sobre amor a distância.


Amor,

Ando sem palavras, não que elas tenham me abandonado, pelo contrário, começaram a tomar conta de mim, circulam por todo meu corpo e é difícil capturá-las e fazer com que fiquem quietas na tela. A criação ganha vida e quer viver, a palavra reproduz a dimensão das ideias, coloca mente e emoção em comunhão e até consegue deixar o corpo em alerta, mas ela ainda não pode ser pele, toque, arrepio, respiração, abraço, pulsar, sopro. Mais uma vez a criação depende do criador.
A palavra expressa sua vontade em pontos, interrogações, exclamações, aspas e muitas reticências, o que me permite tocar seu coração e fazer de sua cabeça um caleidoscópio de perguntas e respostas, mas, e quanto às suas mãos nas minhas, e quanto aos nossos cílios batendo uns nos outros, e quanto a sua voz me comandando e meu corpo se tornando seu ninho? O que pode fazer a palavra quanto a isso? Ela pode ser meu chamado, meu suspiro e, talvez, nada mais. A proclamo porta-voz de meus anseios e termino meu escrito de hoje me tornando palavra: “sim”! Para você sou toda “sim”.

Sua,

Eu

P.S: Me conhecendo bem, você sabe que nunca consigo terminar quando termino (risos), então vou te lembrar que hoje fazem 80 anos que partiu nosso Fernando Pessoa, assim que te deixo de presente as palavras dele que em nós habitam. Veja no vídeo qual voz escolhi para te contar sobre Pessoa... é muito amor... ahhh! você sabe, né?
 




 

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

42º Carta - Adeus à Saudade


Bem-vindos ao blog e ao convite para ler as cartas de amor inspiradas nas histórias que ouço todos os dias em meus atendimentos astrológicos, nos encontros da vida, e em minhas próprias experiências. Para quem quer saber mais sobre elas, veja o post da primeira carta no link:   

http://ferzanini.blogspot.com.br/2015/10/as-cartas-de-amor.html



42º Carta – 27/11/15


Inspirada nos atendimentos da semana que orbitaram em torno da dificuldade de abrir mão, no grande desafio que é desapegar do controle. 

Amor,

Antes de você chegar eu sentia saudades de algo que eu nem sabia se existia, saudades de uma pátria que não sabia onde ficava, e quando você me tocou voltei ao lar, fui preenchida.
É engraçado que quando vazia me achava cheia, cheia de certezas absolutas. Minhas sombras descansavam em jaulas confortáveis, eu conhecia a maioria delas, e ficava ali de fora a observá-las achando que tinha tudo sob controle. Minhas virtudes dançavam tranquilas e estavam também guiadas pelo meu olhar, em liberdade controlada, coreografia montada. Depois de você me misturei toda, me sinto inteira em cada parte e parte na inteireza, dá para entender? Acho que não, né? Somente sentir.
Em verdade, hoje, não sei bem como te dizer a vida. Sua presença é tão forte que sua falta me sufoca, as palavras se prendem na garganta, ou melhor, na pele das pontas dos dedos.
O que consigo expressar nesse momento é que por um tempo me viciei em você, temendo voltar ao vazio, mas logo entendi que quando dependo de sua presença torno-me sua escrava, coloco grilhões no Amor. E quando te peço o “para sempre” te torno meu escravo, amordaço a felicidade. Não serei eu a fazê-lo! Te quero livre, por isso abrirei mão do medo de voltar a ser saudade. Quando encontramos o caminho de casa nunca mais o perdemos.
Não me lembro como era antes de você chegar, e tampouco quero lembrá-lo, não voltará a ser igual, vou criar algo novo, algo meu, algo para essa nova eu feita de você.

Sua (não mais te obrigarei ao sempre),

Eu
 

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

41º Carta - Cartas Marcadas

Bem-vindos ao blog e ao convite para ler as cartas de amor inspiradas nas histórias que ouço todos os dias em meus atendimentos astrológicos, nos encontros da vida, e em minhas próprias experiências. Para quem quer saber mais sobre elas, veja o post da primeira carta no link:   

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41º Carta – 25/11/15
Inspirada em Irani de Menezes e suas cartas de baralho.

Amor,

Eu tenho uma amiga muito sábia e querida, a Irani, de quem eu costumo dizer que não é uma pessoa, mas sim uma poesia com pernas. Ela é daquele tipo raro de gente que consegue enxergar a essência, o que é invisível para a maioria dos olhos. E como a Vida é muito generosa, e sempre conversa com cada um de nós por meio da língua que entendemos, com a Irani ela fala a língua dos reis, rainhas, damas e valetes, a linguagem da magia. A Vida faz com que ela encontre cartas de baralho pelas ruas. Sempre foi assim, toda vez que o mundo das sutilezas quer mandar um recado uma carta de baralho aparece com a informação a ser desvendada. E você acredita, meu amor, que essa semana ela encontrou um baralho inteiro? Isso é pura poesia, e eu como trovadora fico encantada com essa história, gostaria de cantá-la nas praças como se fazia na Idade Média.
Hoje quis te contar sobre a Irani porque observando-a eu aprendi muito a ficar atenta a qualquer sinal de beleza, e essa beleza nem sempre é vista com os olhos abertos. É assim que te amo, buscando-te nas entrelinhas, fechando os olhos do rosto e abrindo os do coração para conseguir te localizar, ativando os corações dos ouvidos para poder escutar o seu calar. E assim, como acontece com a Irani, a vida me fala em minha própria linguagem, e seu nome, amor, aparece gravado em tatuagens, muros e cartazes. E quando eu sinto que perdi seu sinal aquela música que fala do seu bairro começa a soar me lembrando que você está. E quando levanto a cabeça para o céu me deparo com a Lua cheia, e me acalmo porque você sabe que ela sou eu te cuidando.
E a Vida segue seu rumo, as vezes por caminhos tão sinuosos, que me parece meio irreal escrever cartas de amor, então me lembro do baralho, do seu nome, da lua, e me digo “sim”, eu posso amar, mesmo com bolhas nos pés, mesmo com lama no mar, mesmo com bombas a explodir. Como eu disse antes, a Beleza brinca de esconde-esconde com o óbvio.

Aqui estou...

Sempre sua,

Eu