sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Sobre o seu lugar no mundo

Hoje mais uma vez subi até a Ermita de Santa Bárbara, Blanes, Espanha. Todos os anos desde 2005 venho á esse lugar. Eu só consegui entrar na Ermita uma vez e por alguns segundos, pois ela fica fechada o ano todo, só abrindo no dia 03 de dezembro que é o dia de Santa Bárbara. 
É muito confortante para mim lembrar desse dia em que fiquei em frente ao altar de Bárbara. Foi em um momento muito triste da minha vida, e eu liguei chorando daqui da Espanha para o Brasil pedindo ajuda para quem no momento me guiava no Caminho da Espiritualidade, e essa pessoa me disse que eu tinha que finalizar aquele processo e que era a última vez que eu viria á Europa. Fiquei desolda, mil vezes mais triste, então disse para minha amiga: Me leva á Ermita! E quando chegamos... as portas estavam abertas!!! Tinha um senhor limpando a capela, e este não foi nada simpático, nos mandando embora em menos de um minuto. Mas não importou sua grosseria, porque a porta estar aberta naquele instante foi o aconchego que meu coração precisava, naquele momento tive a certeza de que tudo era possível, e de que eu faria o que eu quisesse independente de qualquer profecia ou qualquer circunstância. E aqui estou eu de novo! E voltei tantas outras vezes antes.  E estes dias tenho subido sozinha para meditar na Ermita e hoje o espetáculo foi fabuloso, o Sol descendo de um lado e a Lua subindo do outro. 
Eram 21:16 quando comecei escrever esse post e já estava totalmente noite, e eu lá sozinha, somente com a luz da lua (e do meu iPhone claro), sem enxergar um passo adiante, e ainda assim me sentindo totalmente protegida. E foi aí que eu parei para pensar sobre a importância de se ter o "seu" lugar no mundo, claro que sabemos que nosso lugar no mundo é onde esteja nosso coração e blá blá blá. Mas quando sentimos isso verdadeiramente? Quando nos damos espaço para sentir nossos corações? As vezes é necessário encontrar esse lugar físico que faz com que o tempo pare e encontremos nosso pulso. 
Como achar esse lugar? Não sei! Aliás até hoje não tinha me dado conta que tinha achado o meu há tanto tempo, já sabia que o amava profundamente, mas não realizei que era aqui que o tempo pára para mim. Tantos lugares já percorridos! E é para cá que eu sempre volto! E voltarei tantas outras vezes, fisicamente, em sonhos, em pensamentos, sempre que tiver a necessidade de silêncio, cura, respiração larga!
E vocês? Qual seu lugar no mundo? Pode ser embaixo da escada, dentro do armário, no Tibet, no Alasca, no colo da sua mãe, no olhar do seu amor, tantas possibilidades. A Ermita de Sta. Bárbara me achou e aqui eu me lembro de quem sou quando estou debaixo da escada, dentro do armário, no Tibet, no Alasca, no colo da minha mãe, nos olhos do meu amor, na risada dos meus amigos. Encontrar o "seu" lugar pode parecer irrelevante, mas é bom demais ter a sensação de haver um espaço que é só seu nessa imensidão azul, e ainda que muitos passem por ali, ele é seu! E nada impede que seja de outros também, este lugar é como Krsna, que amava todas as Gopis,  mas nenhuma delas sentia ciúmes dele, pois ele estava com cada uma, exclusivamente, o tempo todo, era onipresente. E assim é com "seu" lugar, ele te faz sentir que é só seu. A casa do coração!!!!
Qual é o seu lugar?


terça-feira, 12 de junho de 2012

Venho despertando todos o dias com o chamado do olhar de Madalena. 

Esse olhar me instiga, me chama, me empurra. Me lembra de olhar e ver, de escutar e ouvir, de falar no silêncio, de tocar e sentir. 

Esse olhar que  lembra de sermos humanos para nos tornarmos divinos. Tudo retorna... sempre...

Maria de Magdala - A Torre do Amor

Ela o anseia como quem pressente a chegada daquele que “É”

Ela o respira com a certeza de que o Sopro o emana

Ela o cria com a fé de que o Amor o prepara

Em seus olhos a força que subjuga o medo

Em seus lábios bençãos

Em seu ventre a eleição que o faz Deus

Em seu peito o abrigo, a fonte de onde brota coragem

Em seus pés a segurança de seguir, apesar de tudo e sempre

Em seu coração o Bem

Seu guia a Simplicidade

Sua defesa compaixão

Seu hino “Que assim seja”

Sua casa oração

Seus amigos... sua família... seus filhos...  irmãos

O perdão grita em seus poros e o silêncio é o seu chão

Ah! Maria! Que sempre o soube...

Madalena que muito amou!

De teu amor consciência e Luz, por tua Luz a morte se curva ao Amor

Suspira Maria...

“Raboni meu amado Mestre! Faz em mim o teu Reino, em mim que sempre estive em Ti ainda quando eu não existia.”  

Raboni... Raboni... Meu Mestre...Meu pai...Meu amigo... Meu irmão... 

Meu Amor...

Fernanda Zanini

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Tranformação! Possível ou não?


Mexendo em arquivos antigos encontrei um texto que escrevi em 2007 para um blog de viagem que eu tinha na época.
O texto me pareceu tão atual, ainda que mudando os cenários e personagens, que me questionei sobre o quanto é real a tão buscada transformação interior. Só me ocorre que essa mudança se faz em níveis de compreensão e na relação de nosso Ego com a Vontade que nos impele á busca por transformação.
Os cenários se renovam, os personagens utilizam novas linguagens, as reações são muito parecidas, mas a consciência sobre a interação de todos esses fatores mostra que nossa peregrinação passa por estados internos e a cada vez que chegamos nestes lugares já conhecidos levamos novas informações á nosso banco de dados e assim vamos escrevendo o “mesmo” totalmente diferente.

Cada um de nós tem sua forma de escrever e ilustrar suas paisagens, essas mudam com os ciclos, mas o lugar segue o mesmo e o peregrino encontra novas formas de caminhá-lo...
Guru Bhrama, Guru Vishnu, Guru Devo Maheshwara!

Divagações... passando por aí de novo...

Segue o texto de 2007:

You had a choice. You made it “now”.

Ontem estive em uma feira medieval em Vic (Espanha), com minhas inseparáveis Joice e Uma e também duas novas amigas Marina e Silvia.
Enquanto me encantava com a  beleza do lugar  e a volta à Idade Média que tanto me chama a atenção, estava presa emocionalmente à uma história do passado nesta mesa Espanha.
Minha mente criava todo um filme, com começo meio e fim. Observava o lugar, as pessoas, e principalmente á mim mesma. Será que conseguiria viver realmente o agora?
Nessa observação podia ver claramente como é fácil seguir como marionete de si mesmo. Observa as pessoas querendo sempre chegar antes, passar primeiro, levar vantagem no estacionamento, na fila, na hora da comida. Estava em um "pueblo," mas seguia igual como estar em São Paulo, cada um em seu próprio e excludente mundo, assim estamos e não percebemos.
Seguramente todos, como eu,  naquele momento estavam criando seu próprio filme, relacionado com suas estórias emocionalmente mal resolvidas e tão dentro de seus filmes estavam que não viam a mais nada, ainda que interagissem com  tudo.  Soa familiar? Creio que sim! Eu estava atenta aos movimentos de minha mente, ainda que nocauteada por ela. E quando resolvi o meu assunto pendente, mais uma vez vi que o tamanho que minha fantasia o tornara era absurdamente desmedido, e estava á anos luz de minha realidade, eu novamente sofria por ilusão.
Meu interior gritou: ACORDAAAA. Submergindo de tal ilusão pude raciocinar mais claramente e me abrir com minhas amigas, relatando quão escrava de minhas emoções me encontro e como cada momento e situações que encontramos estão relacionados com isso. O que na feira de Vic estava mostrando algo de mim mesma?  Em uma brilhante observação, a Uma disse: Os instrumentos de tortura exposto ali seguem sendo usados até agora, nunca deixaram de ser. Fazemos uso deles todo tempo, através de nosso ego, nossa mente. Tornamos-nos vítimas de medos, mentiras inseguranças, paixões obsessivas e infinitas outras coisas criadas
pelo engano do irreal, pelo engano de vivermos longe do agora. 
Então me lembrei das lindas aves de rapina que vimos nessa mesma feira, me senti muito mais observadas por elas do que elas por mim, muito mais presa, louca para voar em direção ao Sol com minhas asas batendo, porém estava com meus pés amarrados pela corda de minha mente. Uffffa! Mas tudo segue como tem que ser, na mais perfeita ordem. O Sol segue nascendo eternamente apesar de minha ignorância e assim seguirá até que eu o alcance um dia e mergulhe em sua luz, com a liberdade do amor. Enquanto isso seu calor nos alcança, seja aqui na Espanha, no Brasil, no Afeganistão, na África ou na Lua. E a bondade infinita de Deus, sempre me brinda com amigos anjos que sempre estão aí na hora certa e o Sol sorri pra nós todos os dias, ainda que de noite utilize o sorriso da Joice pra isso.

Namastê! Fernanda

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Amor


"No princípio era Deus com o poder da palavra. Deus disse: Que Eu possa ser muitos... que Eu possa ser propagado. E por Sua vontade expressa através de uma fala sutil, Ele uniu-se a essa fala e fecundou-se." (Satha Patha Brahmana)
 
A Vontade de Deus expressar-se é Amor.   

Deus é sêmen, a fala é óvulo e a fecundação é o Amor em movimento.

O Amor é o combustível da vida, a essência do Prana. 

Amor é o enxergar da visão, é o ouvir da audição, é o aroma do olfato, é o sabor do paladar, Amor é o êxtase do tato.

Amor é pulso do coração, e coração que pulsa no átomo.

Amor é a paciência da montanha, é busca da pedra, é a revolução do cristal que se transmuta em beleza e em sua transparência ama purificando, e purifica amando.

Amor é a alma da intuição, e é a intuição da semente, e é a semente da vida que se faz árvore, e a gratidão da árvore que se faz flor, e a cor da flor que se faz doação á paixão dos amantes.

Amor é água que busca a Deus e se torna nuvem e amando-O transborda em chuva, e chovendo multiplica-se em Vida.

Amor é o impulso da faísca que não cabe em si e se torna fogo, ama em Luz.

Amor é a expansão e contração dos pulmões pelo Ar que ama respirando, e quando suspira de êxtase se faz Vento que transforma o passado em agora.

Amor é a união de dois olhares, de duas falas que se fazem carne... música!  

Amor é cordão umbilical, é o nascimento que se dá no ventre da morte e a morte que renasce no coração da Vida. 

Amor é o pensar do intelecto, o sentir da emoção, a meditação da mente, e é o encontro de pensar, sentir e meditar no êxtase do Ser.

Amor é silêncio no coração da palavra...

Amor é a busca do homem por Deus e de Deus pelo homem, e é a descoberta de que São O Mesmo desde o princípio e infinitamente...

quarta-feira, 28 de março de 2012

Um dia eu tive um sonho!

Um dia eu tive sonho... Sonhei que nasci...

Nasci em um mundo novo, diferente. Nasci de uma mãe de olhos ternos que prometiam o viver infinitas possibilidades.
Esperava-me um pai que queria que eu fosse feliz, ainda que não pudesse garantir tal felicidade. Mas de uma coisa estava certa, ele me ensinava força para enfrentar as batalhas que iria travar.
Nesse sonho ganhei um corpo de criança que se encantava com cores, sons, odores e sabores. Desde então comecei a buscar por algo, por alguém... Meu Bem-Amado...
E meu corpinho ágil crescia entre as plantas do quintal onde conversava com a terra... Tão real esse sonho!
E enquanto crescia encontrava outros que assim como eu participavam do sonho. Irmãos chegavam com alegria e outros partiam, assim sem avisar, simplesmente sumiam... Sonho cruel esse ás vezes! E eu seguia experimentando e buscando por Ele, O Amado.
Já com uma vestimenta de mulher encontrei paixões que me fizeram pensar que O havia encontrado, mas no final ainda não era Ele.
Andei pelo mundo para tentar encontrá-lo e enquanto buscava saboreava cada experiência, afinal o sonho podia acabar a qualquer momento. Busquei em terra de faraós, na sabedoria de índios que viviam perto de um lago sagrado, em pirâmides onde dormia o senhor do milho, em vales onde cavaleiros protegiam um segredo, no ponto mais alto dessa terra de sonhos, no país onde o divino veste roupa de animais... No coração de Madalena eu busquei meu amado! E nessa busca muitos outros buscadores a mim se juntaram. Encontrei alguns que pareciam saber melhor do que eu como viver seus sonhos e com eles aprendi a viver o buscar, ao invés de esperar o encontrar. E para todos os meus irmãos eu dizia: dentro de meu sonho eu sonho encontrar o meu Amado e, repentinamente, percebi que nunca soube o que esses irmãos ansiavam e resolvi saber quais eram os seus sonhos... E perguntei a cada um...
E através dos olhos de cada irmão que me contava seu querer eu podia sentir o olhar de meu Amado falando a meu coração. Então simples e naturalmente meu sonho mudou, passei a sonhar que todos eles realizassem os seus sonhos... E aí eu acordei! Acordei dentro do sonho e percebi que Ele sempre esteve ali. Meu Amado me sonhava! Era Ele... DEUS o dono do sonho e esteve comigo todo o tempo, em cada respiração, em cada abraço, em cada paisagem, em cada dor e no mais profundo Amor...

Que sonho mais estranho!! Sonho que se sonha acordado... EU SOU...

Fernanda Zanini