sábado, 6 de fevereiro de 2016

49º e Última Carta - Ser e deixar Ser

Bem-vindos ao blog e ao convite para ler as cartas de amor inspiradas nas histórias que ouço todos os dias em meus atendimentos astrológicos, nos encontros da vida, e em minhas próprias experiências. Para quem quer saber mais sobre elas, veja o post da primeira carta no link:   
http://ferzanini.blogspot.com.br/2015/10/as-cartas-de-amor.html
 
49º Carta – 06/02/16

Inspirada nos recomeços. 
Sempre que alguém faz um mapa astral comigo eu sugiro uma tarefa de reflexão que dura um ciclo de 49 dias. Hoje mais uma pessoa terminou esse processo me lembrando de observar os meus próprios finais de ciclos.

Amor,

Como eu gostaria de saber colocar em palavras aquilo que em mim pulsa. Tentei por 49 vezes, mas ainda não sei dizer o meu sentir. Tentei fazer da inocência do encontro palavra, de meu sonho rima, de meu choro chamado, de meu querer “nós”, mas não consegui.
Como contar sobre o que pressente em sua membrana um coração? Como traduzir o brilho de um pensamento? Como colocar em partitura o som produzido pelo silêncio?
Não sei, não sei, não sei.
Hoje fui acordada por um bater de asas, houve um zumbido forte que abriu os meus ouvidos para uma voz ancestral que me contou sobre os segredos do Amor, segredos que só percebo como uma premonição, ainda não alcanço sua realidade.
Me vi tomada por algo em mim que sabe mais que eu, e que entende que amar não é querer, não é sentir, não é agradecer, não é perdoar, não é faltar nem complementar, nem expandir nem contrair, nem eu nem você. O Amor é permissão, é o campo de manifestação de tudo quanto existe, de tudo que se sente, de tudo que se cria e destrói. Ele, o Amor, não se importa nem mesmo em amar, ele só quer e só pode “deixar ser”.
É por Sua vontade que a Vida dá luz à Morte, e a Morte faz sexo com a Vida incessantemente. Novas dimensões de quem somos são criadas a cada segundo.
Não posso parar, não há como parar, e sendo assim, sou levada a escrever minha última carta a você, respeitando as lições que hoje aprendi.
Me propus te escrever por um ano, mas, como disse antes, o tempo do Amor é diferente, é ele quem decide quando começar ou terminar. Foram apenas quatro meses, que parecem toda uma vida, e através de minhas cartas te germinei em muitos corações, te espalhei pelo mundo. Me sinto tão bem por isso, nos vejo tão lindos! Me pego sorrindo enquanto escrevo “nos vejo tão lindos”, é simples... nada mais a acrescentar.
A escrita não cessará, virá vestida com outras roupas, e você estará nela, já estava mesmo antes de nos encontramos, pois sempre esteve em mim.
Nos amamos no tempo sem tempo, em épocas onde esse hoje era um futuro distante, seguimos nos amando agora, e nos amaremos quando esse agora for um ontem esquecido.
Por isso, meu bem, só quero te dizer: Sê feliz! Confio em sua capacidade de sê-lo.

A roda gira, gira, gira ... Olhos reconhecem o que corações nunca esqueceram.

Eternamente livre para ser (sua),  

Eu
 

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

48º Carta - Saudades

Bem-vindos ao blog e ao convite para ler as cartas de amor inspiradas nas histórias que ouço todos os dias em meus atendimentos astrológicos, nos encontros da vida, e em minhas próprias experiências. Para quem quer saber mais sobre elas, veja o post da primeira carta no link:   
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48º Carta – 27/01/16

Inspirada no que os olhos não veem, mas o coração sente.


Amor,

Hoje acordei com uma saudade gostosa, vontade de rir com você.
Sabe que existem dois tipos de saudades? Há aquele tipo que faz doer a carne, que espeta como espinhos cravados na pele, essa é a saudade “choro”, ela nos aliena, faz com que já não vejamos a relação, não há mais eu ou você, porque enquanto ela se faz presente nos apaixonamos pela “falta”, somos guiados pelo que não temos, nos apegamos ao “se”. Ela vicia e pouco a pouco vai matando a capacidade de criar novos mundos.
Mas deixemos a saudade choro quieta por hoje, porque eu quero mesmo é te falar sobre a outra saudade, a saudade criança, essa é complemento. Ela também faz chorar, mas é um choro que limpa, que perdoa, que entende, que derrete o coração, nela você simplesmente está. Olho para vida com quatro olhos (e não são meus óculos...rsrsrs), os meus e os seus, e assim a falta se torna presença.
Vejo coisas lindas que gostaria de te mostrar, e mostro, te envio músicas, poemas e orações. Te percebo no meu desejo e te mando mensagens pelo arrepio de minha pele. Será que você sente? Como pode haver distância nisso? Não há! Sou devolvida a mim, pois me conheço em ti, me descubro em meus sonhos de ti.
A saudade criança me permite te dizer com leveza que a vida vai bem, que sou feliz, que meu sorriso desabrochou, que a inocência voltou a ser minha lente, que novamente quero comer o mundo com queijo ralado, que meus pés coçam por fome de estrada... que só te quero bem.
Ai! Que saudades de você!! Deixemos a Vida resolvê-la, quem sabe nos encontremos em um caminho mágico para uma cachoeira ou então em uma rua movimentada chamada surpresa, ou talvez, sigamos nos encontrando em dimensões que só o Amor entende.

Sua,

Eu
 

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

47º Carta - Tem alguém aí?


Bem-vindos ao blog e ao convite para ler as cartas de amor inspiradas nas histórias que ouço todos os dias em meus atendimentos astrológicos, nos encontros da vida, e em minhas próprias experiências. Para quem quer saber mais sobre elas, veja o post da primeira carta no link:   

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47º Carta – 12/01/16

Inspirada em uma insônia nascida de um sonho sem imagens.


Amor,

Toc toc ... tem alguém aí?
Toc toc ... tem alguém aí?
Toc toc ... tem alguém aí?

Não consigo te ouvir por detrás do muro espesso de seu castelo. Minha voz se desfaz no eco de meu próprio chamado.
Será que estás dormindo? Cuidado para não se deixar cair no sono sem sonhos, ele é mantido pelo medo de mudança. Acorda, meu amor! Acorda para o Amor!
Dentre tantas pessoas que adentram a seu castelo todos os dias, alguém te ensinou amar? Alguém te ajuda a seguir crendo que  acima dos deveres  está a necessidade de ser justo ? Alguém mais, além de mim, conhece seu anseio de cuidar dos que não sabem se cuidar sozinhos?
Não consigo ouvir as respostas! Acho que ainda dorme.
O meu dilema é em relação aos sonhos, meu sono é cheio deles, sonhos de imagens vívidas, cheios de movimento. Definitivamente, eu sei sonhar, e por sabê-lo acabo me tornando uma antena que capta os seus sonhos protegidos pelo silêncio do esquecimento.
O que faço com eles? Guardo num baú de tesouros e deixo no portão de sua fortaleza ou os vivo em mim para você?
Se o encontro de amor nos faz um, tenho permissão de vivê-los.
Darei as costas ao seu castelo e seguirei em direção ao Sol, levando comigo seu baú de tesouros.
Sua honra será a espada que me defenderá no caminho, sua liberdade confeccionará minhas asas, sua vontade de curar os loucos será minha caridade, seu poder de combater as injustiças será o desafio que me moverá.
Enquanto você não se lembra de acordar, eu serei seu chamado. Me apresentarei a ti como aquela sensação de “algo a ser feito” dentro do seu peito. Serei o vazio que vem após cada conversa onde não estou. Aparecerei como o alívio dos prazeres que te acalmam, ajudando a fingir que não há dor. Me tornarei as saudades que sente de ti mesmo.
Dessa forma te cuidarei até que te lembres.
Toc toc ... tem alguém aí? Eu sei que sim, não te ouço, mas te sinto.

Sua,

Eu